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sábado, 31 de julho de 2010

Sobre as noites

Se é manhã, aurora vermelha, é canto de pardal, pão e cheiro de jornal.
E se é tarde, deitam-se nuvens de sal no campo verde-bolor. Bate o sol no vitral, entra sede e calor
Mas se é noite, um riso rouco rompe o breu e abre um cinza no céu. Rasga no ar um grito, o caminhão do lixo. Às nove, no vento, serpenteia um choro estrídulo, de morcego. Às dez, desvenda o luar um gato trêfego. Às onze, as onças surgem das trevas e atacam. Às doze eu morro, e depois disso já é amanhã.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

I could't say it to your face, but I won't be around any more...

About music: Luís Capucho

Há aproximadamente uns dois anos, enquanto eu rodava o adorável cd "Com você... Meu mundo ficaria completo", da fodástica Cássia Eller, fui surpreendida com uma canção exótica e deliciosa chamada "Maluca". Faziam apenas alguns meses que eu havia iniciado uma frustrada carreira de musicista amadora e a faixa não me escapou de umas boas arranhadas no violão e nem de uma pesquisa mais profunda sobre seu autor. Foi aí que descobri Luís Capucho, um gênio, que dá luz há um som híbrido, transparente e único.

O sujeito de Cachoeiro do Itapemirim já conta com alguns sucessos nacionais como "Máquina de Escrever"
, feita em parceria com Mathilda Kovak, e "Maluca", interpretada com excelência pela Cássia.

Além da música, o cara também se insere na arte através da literatura. Até agora tenho conhecimento de duas publicações: "Cinema Orly" e "Rato". Como ainda não os li, não escreverei sobre, mas para aqueles que têm interesse não será tão difícil encontrar informações e críticas sobre seus livros na rede.


A singularidade de Capucho, a maneira original como tece sua poesia, que por vezes é até sinestésica de tão sincera, é o que mais me surpreende e conquista. A forma livre de dispor suas letras arrebata admiração daquele que ouve ou lê seus versos. Para encerrar o post de hoje, deixarei aqui alguns links interessantes sobre o Luís e a canção "Velha", já citada numa postagem anterior, que eu adoro e que expõe bem a singela e peculiar beleza do trabalho desse artista:


http://luiscapucho.blogspot.com/

http://www.myspace.com/luiscapucho
http://www.cronopios.com.br/site/lancamentos.asp?id=2491

terça-feira, 27 de julho de 2010

Verborragicamente Agressiva

Vai tomar raticida pra curar disenteria emocional.
Vai correr pela cidade e ressurgir no olho da privada.
Morrerá atropelada no ventre cáustico das ruas e desintegrará, no vento sujo, sua singular inframediocridade.
Fuga leviana, pernas estabanadas. Quem mandou nascer rata em couro de mulher? Quem mandou?
Luz abortada,
Cachorra vadia
Esquecida de casa.
23/07/2010

Vou transcrever uns trechos que escrevi ontem à noite, sem papel. Ontem à noite alguma coisa cortou essa modorra que me amordaça há tanto tempo. Alguma coisa cortou o céu, alguma coisa rara procurou meus olhos ontem à noite. Foi estranho ver aquilo que eu tanto queria, só porque achava que nunca poderia vê-lo.
Era tardinha, na hora em que as cores correm pelo céu e o sol vai fugindo, cedendo, timidamente, seu lugar para a luazinha serena se acender. Roxo em cima, dourado em baixo, alguns cristaizinhos já rodeavam nosso esférico satélite natural. Não tenho certeza se era um disco voador, ou uma estrela cadente a coisa extra-rotineira que cruzou o espaço naquele breve e não tão menos raro momento em que pus os pés fora de casa após o cessar do dia. Eu sei que foi belo e curto, um surto, um furto de consciência, uma intensa e brevíssima trégua de tudo.
Interessante, porque, neste mesmo momento, eu trazia na língua a “Velha”, de Luís Capucho( um gênio sobre o qual falarei em breve, aqui mesmo). A doce canção se tornou trilha sonora daquele fenômeno único, e ainda nesse curto intervalo de tempo, me veio à memória uma pessoa muito querida. E veio porque foi justamente em função desta pessoa que eu redescobri a música, especialmente por causa da ternura que as duas compartilham.
Enfim, foi um momento mágico. Jamais o esquecerei.

domingo, 25 de julho de 2010

Advertência

O que escreverei aqui não é nada saudável para o juízo do leitor, tampouco é dotado de coerência ou clareza. Estas letras de nada servem se não para consumir o ócio antes que ele me consuma. E creio, espero, que este também seja o objetivo daquele que se atreve a gastar tempo com meus textos.