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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Lar, insípido lar.

Do seu profundo ventre,
Saia e entre
Quantas vezes quiser.
Seja bem vindo, novamente.

O cheiro do limbo ainda lhe é familiar?
Ainda se sustenta num filete?
Onde está seu estilete?

Ainda sabe andar a esmo?
Você ainda é o mesmo?
Seja bem vindo novamente.


sábado, 18 de setembro de 2010

Achado

"Em uma hora, a atriz apresenta uma tradução cênica para o que, aos olhos da escritora, é o real: aqueles instantes de suspensão em que, na surdina e sob um disfarce prosaico (animal, planta ou um cego mascando chiclete), abrindo fendas na modorra da rotina, a vida irrompe _monumental, desconhecida, temerária e onírica."

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Corrosiva

A verdade pungente e mordaz lhe tornaria colérico, colérico demais. Por isso penetra a noite nebulosa, por isso tanta obscuridade.
Não é assim tão piedosa e autruísta criatura... Não teme decepcionar o Sol, teme ver a si no claro. A verdade é que teme a verdade sobre si. Teme é lançar a luz sobre as mais nítidas constatações de sua vileza.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O que você quer?

Talvez a morte, no seu sentido mais podre, seja mesmo seu desejo mais genuíno, seu destino. Medíocre...
Contraditoriamente, tem a sua volta tudo aquilo de que precisa: os sabores e dissabores da vida a seu dispor; Tem a resposta de que precisava: não encontrará mais respostas; Tem o teu corpo, que ainda reluta e agoniza. E já sabes o nome de seus demônios.
Por que ainda foges?
O escuro será sempre teu abrigo, porque nenhuma luz merece o desprazer de revelar tua burlesca e trágica face.
Se não puder amar a si mesmo, tua perpétua inconstância e pequenez, então fuja!


quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Permitam-me uma contradição

"(...)-Não costumo falar com estranhos dessa maneira, mas não gosto de ver pessoas tristes. O que está acontecendo? É por causa de homem?
-Não, não é nada.(risos) Mas admiro sua iniciativa, muito bacana de sua parte.
-Só estou sendo humana!(...)"

O que é ser humano?
O que é ser vivo?

Por alguns instantes me peguei pensando a cerca dessas questões. E me dei conta de que talvez eu tenha me distanciado desses dois conceitos.
A essência, o ponto que realmente mais me tocou, já foi sucintamente relatado, porém a postagem ainda me parece demasiado curta para condizer fielmente com a relevância desse evento. Pretendo contextualizar melhor o leitor sobre o trecho que abre a postagem, e ainda escrever mais detalhadamente sobre outros aspectos importantes do ocorrido.


Pulsar...

"E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: "Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez - e tu com ela, poeirinha da poeira!". Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: "Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!" Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?"



quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Permitam-me Uma Contradição

Permitam-me fazer uma correção a cerca da postagem precedente. Não farei exatamente agora, nem agora postarei a experiência que desencadeou tal conflito de idéias. Mas, certamente, o farei em breve.
Eu havia reservado para essa postagem um trecho importantíssimo do diálogo que presenciei hoje, mas deixarei para fazê-lo mais calmamente, quando o tempo me for suficiente.
Enfim, embora eu não vá desenvolver um escrito sobre o que exatamente representa essa contradição e sobre o que foi e o que significou tal experiência, deixarei aqui uma tradução em palavras do fruto desse episódio de hoje:

(Com sono, escrevo o resto amanhã.)