23/07/2010
Vou transcrever uns trechos que escrevi ontem à noite, sem papel. Ontem à noite alguma coisa cortou essa modorra que me amordaça há tanto tempo. Alguma coisa cortou o céu, alguma coisa rara procurou meus olhos ontem à noite. Foi estranho ver aquilo que eu tanto queria, só porque achava que nunca poderia vê-lo.
Era tardinha, na hora em que as cores correm pelo céu e o sol vai fugindo, cedendo, timidamente, seu lugar para a luazinha serena se acender. Roxo em cima, dourado em baixo, alguns cristaizinhos já rodeavam nosso esférico satélite natural. Não tenho certeza se era um disco voador, ou uma estrela cadente a coisa extra-rotineira que cruzou o espaço naquele breve e não tão menos raro momento em que pus os pés fora de casa após o cessar do dia. Eu sei que foi belo e curto, um surto, um furto de consciência, uma intensa e brevíssima trégua de tudo.
Interessante, porque, neste mesmo momento, eu trazia na língua a “Velha”, de Luís Capucho( um gênio sobre o qual falarei em breve, aqui mesmo). A doce canção se tornou trilha sonora daquele fenômeno único, e ainda nesse curto intervalo de tempo, me veio à memória uma pessoa muito querida. E veio porque foi justamente em função desta pessoa que eu redescobri a música, especialmente por causa da ternura que as duas compartilham.
Enfim, foi um momento mágico. Jamais o esquecerei.

Doces palavras de uma doce criatura. Continue escrevendo.
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