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sábado, 7 de agosto de 2010

Carta para a Sensei - I

Querida Sensei,
Hoje recebi o melhor presente de aniversário de minha vida, e lhe escrevo para agradecer e dizer tudo aquilo que não consegui transmitir quando o tentei fazer no cara-a-cara, ou melhor, no voz-a-voz. Já percebeste que não sou boa em conversar ao telefone, mas tenho uma boa desculpa para isso: sempre que falo com você, me toma uma emoção que embola minha lingua e meus pensamentos.
Então, a minha tão esperada e estimada caixa chegou e me deixou abobada pelo resto do dia. Estava a cortar cebolas para um vinagrete, que acompanharia o almoço de hoje, e a derramar algumas lágrimas por esse motivo, quando me interrompeu o árduo trabalho o carro do Sedex. Não sei se vi demais, mas senti que o moço da entrega me recebeu com um sorriso, intuitivo, uma previsão de bom acontecimento, de coisa especial. Pessoa, saí da cozinha mais trêmula que gelatina em terremoto, agarrei me àquela caixa no portão e rabisquei uma assinatura a la sofredora de mal de Parkinson. Puxa vida, ainda não consigo descrever o que senti quando tive pela primeira vez em minhas mãos algo já teria passado pelas suas.
Sei que as lágrimas, de cebola, encontraram um motivo muito mais justo para existir e percorrer minha cara enrugada. Eu até tentei escondê-las do pessoal aqui em casa, mas no fundo mesmo, eu não queria, eu queria mesmo era continuar naquele momento tão bacana. Pior, aliás, melhor foi quando abri
, rasguei vorazmente, desesperada, ansiosa aquela caixa e vi lá dentro aquele cd, aquela embalagem da Ri Happy, aquele cartãozinho e o saquinho vermelho.
Nick Drake, o cd do Nick Drake! O cd que era seu! O cara incrível que me apresentou você... Tasquei no toca disco, e fui rasgar o outro pacote, que eu já tinha apalpado e sentido toda a fofura. Poxa vida, aquele bichinho felpudo, azul e lindo me lembrou o melocoton, que eu adorava na infância, e agora está acomodado na minha cabeceira de cama, que é vítima de uma de minhas excentricidades, e mantém a mesma arrumação há alguns anos. Agora ela manterá uma nova arrumação
por todos os anos que virão, ornamentada com meu bichinho azul que pretendo nomear de avatar.
Li o belo e gracioso cartãzinho, e fui para a parte que mais me avassalou. Desamarrei a fitinha amarela do saquinho, e encontrei as coisas mais preciosas que já ganhei. O broche, a chave, a pulseira, a carta e a foto, que a principio pensei ser um apontador. Com todas aquelas coisinhas, pude sentir sua energia, de alguma maneira estranha aquilo me chegou familiar, e tão doce, e tão encantador... Como respirar uma brisa boa... E eu que antes me sentia afobada, como se tivesse andando na roda gigante, agora estava muito enternecida, tocada e serena, tomada de alegria. Comecei a ler a cartinha, inclusive tenho que comentar que achei lindíssima sua caligrafia, e vi o que você foi escrevendo sobre cada coisinha: sobre o broche, que te faz lembrar de mim; sobre
a chavinha, sobre a pulseira que eu já estou usando, e finalmente sobre a foto. A princípio eu não estava entendendo, e cheguei a me perguntar: "Será que eu perdi a foto? Será que ela esqueceu?". Então fui analisar aquilo que para mim era um "apontador", e depois de girá-lo um pouquinho e abrir a tampinha, descobri a lente na base menor. Olhei, mas estava escuro, foi quando mirei para a fresta de luz que raiava da janela e vi aquele anjo com a bonequinha. Sim, aí sim, você me pegou de verdade, Sensei. Obrigada por me mandar esse presente tão especial, obrigada por estar agora um poquinho mais perto fisicamente de mim. :')

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